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| Festa de arromba |
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Na noite do último sábado (31), o cine-teatro São Luiz (ops... Centro Cultural Sesc Luiz Severiano Ribeiro) tinha tudo para lembrar o antigo teatro da Record numa jovem tarde de domingo lotada de brotos a dançar e cantar junto ao som do iê iê iê. Porém, ao impedir o público de ocupar o segundo andar da bela sala, tudo ficou concentrado no térreo refrescado por colunas de ar-condicionado improvisadas. E nem era o iê iê iê da turma da Jovem Guarda e sim o Iê Iê Iê repaginado, pós-modernizado, de Arnaldo Antunes. Mas há uma semelhança curiosa: assim como o antigo programa que projetou nacionalmente Roberto, Erasmo e Wandeca tinha seus patrocinadores, Arnaldo vem rodando o país dentro do projeto Natura Musical.
É claro que, num primeiro momento, o público foi compelido a ficar educadamente sentadinho para assistir aquele show de puro rock´n´roll. Com exceção, é claro, daquela turma mais inquieta que ficou de pé nas laterais já louquinhos para cair na dança que a música de guitarras altas, órgão de timbre bem trabalhado e bateria pulsante pediam. Mesmo quem ficou sentado não resistia em estalar os dedos, balançar a cabeça e até levantar as mãos para cantar os refrões grudentos. Arnaldo fez um show quase irrepreensível. O som podia estar um tiquinho melhor, vez em quando rolava umas microfonias, outras a voz do ex-Titãs sumia.
Desde que abandonou o grupo que lhe revelou e o tornou ícone da inteligência do rock nacional dos anos 80 para assumir uma carreira solo, Arnaldo Antunes foi tão fiel ao espírito original de sua ex-banda. Bem que ele poderia ter resgatado alguma música do primeiríssimo disco dos Titãs para fazer a ponte entre o iê iê iê original com sua versão repaginada para o século 21. Para além de resgatar uma sonoridade que parecia ter caído no limbo da história do pop nacional, Iê Iê Iê (disco e show) surpreende pela altíssima qualidade das letras, emocionadas, bem construídas e dentro de uma simplicidade absurda, sem cabecismos e referências intelectuais e acadêmicas.
Figurinos bem transados e um cenário hiper colorido fizeram molduras perfeitas para um repertório irrepreensível. Arnaldo e sua super banda centraram foco no repertório do CD novo, abrindo poucas brechas para tocar outras composições do protagonista devidamente retrabalhadas para a sonoridade do trabalho recente. Melhor ainda foram as releituras de Ela é Americana (Alípio Martins), Pra aquietar (Luiz Melodia), Vou festejar (Jorge Aragão) e Quando você decidir (Odair José). Foi na hora desta última que o baterista Curumin convocou o público para se levantar e cair na festa. Finalmente, o rock mostrou a que veio. Festa total! Pena que o público não notou que todos estavam dispostos a esticar o bis e não foi mais enfático na hora do -mais um-. Que Iê Iê Iê possa vir mais vezes.
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| Notícia Postada em 03/11/2009
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