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| Trabalhando sob pressão |
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A Síndrome de Burnout, ou transtorno do esgotamento profissional, geralmente acomete trabalhadores submetidos a situações de estresse extremo, desenvolvendo exaustão emocional (fadiga, falta de esperança, irritabilidade), diminuição da realização pessoal (perda da competência no trabalho), assim como despersonalização (distanciamento afetivo).
O Dr. Duílio Antero de Camargo explica que o estresse pós-traumático é comum em pessoas que sofreram graves acidentes ou foram submetidos a qualquer outro tipo de risco no ambiente de trabalho. "O evento traumático é persistentemente revivido, há irritabilidade, dificuldade de concentração, insônia, falta de interesse em atividades cotidianas, sentimento de estranheza e falta de perspectiva", diz o psiquiatra. Também o transtorno de vigília-sono envolve queixas de insônia, interrupção precoce do sono ou sonolência excessiva e ocorre principalmente em profissões noturnas.
O alcoolismo crônico relacionado ao ofício é outro problema grave e de difícil solução, segundo os especialistas. A psicóloga Rosemary Gonçalves explica que, muitas vezes, essa é uma forma do indivíduo sentir-se aceito no grupo ou de viabilizar seu próprio trabalho, quando este é considerado monótono, envolve afastamento da família ou isolamento social. Também incluem trabalhos cujas atividades são extremamente degradantes (trabalho com lixo, cadáveres, sacrifício de cães, dentre outros) em função dos efeitos calmantes, estimulantes, euforizantes e anestésicos do álcool.
Diagnóstico
O diagnóstico de doenças mentais relacionadas a uma atividade funcional pode ser bastante difícil, pois o medo de ser demitido, a responsabilidade de sustentar a família, o sentimento de culpa e a subestimação de problemas de ordem psicológica são muito comuns nesses casos. No entanto, diante de sintomas dessa natureza, a procura por um profissional da saúde mental é o melhor caminho, aconselha a Rosemary Gonçalves.
O ponto de partida é a anamnese (uma entrevista realizada pelo médico ao seu paciente, que tem a intenção de ser o início do diagnóstico de uma doença. A avaliação psicológica, os exames mentais e sobre as condições do local de trabalho integram o diagnóstico.
Tratamento
A psicoterapia, associada ao tratamento farmacológico e até participação em grupos de apoio são geralmente empregadas no tratamento, que dependerá da gravidade de cada caso. Muitas vezes, o profissional deve ser afastado do ambiente. Porém, é importante que ele receba orientação para garantir seus direitos trabalhistas e suporte social.
Os transtornos podem trazer consequências tanto para a saúde quanto para a convivência social dessas pessoas. Muitas vezes, há o afastamento familiar e a dificuldade de retomada das atividades normais no trabalho, ocasionando traumas que geram um ciclo vicioso. É difícil ter o controle sobre a relação de sintomas, pois, muitas vezes não há autonomia suficiente do empregado para tomar decisões sobre as condições de seu ofício.
No entanto, a psicóloga Rosemary Gonçalves ressalta que a prevenção dos agravos é responsabilidade do empregador. A empresa deve proporcionar aos trabalhadores um ambiente seguro e saudável com a utilização de medidas de proteção coletiva. Também deve adotar estratégias de organização voltadas à preservação da saúde geral do trabalhador.
Fique por dentro
Políticas públicas
A Rede Nacional de Atenção à Saúde do Trabalhador (RENAST), desde 2002, articula serviços do SUS voltados à assistência e à vigilância para o desenvolvimento de ações de Saúde do Trabalhador. Assim, as Unidades de Saúde tornam-se capacitadas para o atendimento especializado, diagnosticando se a doença tem ou não relação com o trabalho e notificando ao Sistema Único de Saúde. Fazem parte dessa rede os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), cuja função é o suporte técnico às unidades de Saúde do SUS. Atualmente, existem no Ceará oito centros, sendo um estadual e sete municipais.
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| Notícia Postada em 31/08/2010
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